AS HUMANIDADES SITIADAS: ESTUDO COMPARATIVO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA NO CURRÍCULO E NA PERCEPÇÃO DE ALUNOS E PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO BRASILEIRO E DO BACHILLERATO ESPANHOL

Maria Fernanda Alves Garcia Montero

Resumo


Este trabalho tem como problema central analisar comparativa e criticamente o ensino da Filosofia no nível médio de escolaridade na Espanha e no Brasil, tanto no que tange ao lugar da Filosofia no currículo desse nível de ensino, quanto no que se refere às percepções de alunos concluintes e seus professores sobre seu ensino, tendo como pano de fundo, as leis responsáveis pelas reformas educacionais implantadas nesses países, do final da década de 1980 ao final da década de 1990. Considerando-as como um fenômeno complexo e multidimensional, tais reformas são aqui analisadas do ponto de vista estrutural – atendo-se ao Ensino Médio – e curricular – atendo-se à disciplina de Filosofia. Analisar comparativamente o lugar da disciplina Filosofia no currículo do ensino médio e a realidade de seu ensino na percepção de alunos e professores nesses dois países interessa a esta pesquisa pelo que essa relação entre intenção e realidade pode revelar sobre o papel da Filosofia nesse nível de escolaridade e sobre as condições de seu ensino, bem como pelos elementos de compreensão que podem ser encontrados na comparação entre as duas realidades. Trata-se de pesquisa de educação comparada, conforme a definem Sérgio Schneider e Cláudia Job Schmitt, realizada com o apoio teórico de autores como Ball & Bowe, Chervel, Gimeno Sacristán, Goodson e Viñao Frago. A pesquisa foi realizada, no que tange à coleta de dados, no âmbito do currículo prescrito, por meio de análise de documentos pertinentes às reformas, ao ensino da Filosofia e de provas específicas que avaliam esse nível de ensino nos dois países. Os dados sobre o currículo em ação foram obtidos por meio de questionários aplicados a 31 alunos concluintes do Ensino Médio de uma escola pública da Cidade de São Paulo (Brasil), a 25 alunos concluintes do Bachillerato de uma escola pública da Cidade de Guadalajara (Espanha) e a 04 professores de Filosofia dessa etapa da escolaridade, dois brasileiros e dois espanhóis, todos profissionais de escolas publicas. Os dados referentes aos sujeitos espanhóis foram coletados após o exame de qualificação, com realização de Estágio de Doutorado no Exterior – PDSE (Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior) – CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior). A pesquisa levou à confirmação da hipótese inicial de que, na atual conjuntura, em que há predomínio da orientação neoliberal, a escola, e dentro dela professores e alunos, terminam por produzir trabalho alienado, e a Filosofia dentro do currículo escolar se torna apenas mais um elemento voltado para a satisfação das necessidades do mercado. A Filosofia, institucionalizada, está sujeita aos dispositivos e discursos legais e ao controle social que exercem. Em ambos os países as legislações estão fortemente atreladas a uma concepção construtivista da aprendizagem, que tem, dentre suas características, produzir indivíduos adaptados às demandas da sociedade de mercado.


Palavras-chave


Filosofia; Ensino Médio; Bachillerato; Reforma Educacional no Brasil e Espanha; Educação Comparada.

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