Para além da estética: uma abordagem etnomatemática para a cultura de trançar cabelos nos grupos afro-brasileiros

Luane Bento Santos

Resumo


A presente pesquisa tem como objetivo apresentar o estudo “Para alem da estética: uma abordagem etnomatemática para a cultura de trançar cabelos nos grupos afro-brasileiros”, que se constituiu numa pesquisa etnográfica. Descrevemos os pressupostos teóricos e metodológicos do estudo. A metodologia foi fundamentada principalmente na Etnomatemática e na Antropologia Cultural. Os métodos e técnicas de pesquisa antropológicos utilizados foram: o diário de campo, a observação participante, entrevistas semi-estruturadas, história de vida, historia oral e levantamento bibliográfico. Enquanto a Etnomatemática, a investigação se utilizou de seus instrumentos para refletir sobre o fazer cientifico no ocidente enquanto forma de manipulação ideológica, de exclusão social, de manutenção do poder político e de sistemas de representações sociais da classe dominante pautados em uma lógica de inferioridade intelectual (e de saberes) de determinados grupos sociais que são hierarquizados por classe, raça/etnia, gênero, e orientação sexual. A pesquisa buscou demonstrar que a matemática praticada no meio acadêmico é uma ciência desenvolvida sobre aspectos enviesados, produzida e reproduzida para a manutenção do “status quo” de uma elite colonial e que tem sua origem em movimentos formalistas do Iluminismo. Argumentamos também que a matemática não pode ser vista sobre aspectos universalistas por ser trata de um produto da criação humana ligado aos processos de organização cultural de cada sociedade. O objetivo de nossa pesquisa  foi investigar se as práticas e técnicas das trançadeiras negras – no ato de pensar, arquitetar, esquematizar e produzir tranças – se constituíam em práticas etnomatemáticas. Através dos resultados obtidos constatamos que as mulheres trançadeiras apresentam em suas linguagens nativas saberes matemáticos presentes conscientes e inconscientemente na formulação, elaboração e organização dos penteados trançados. Sugerimos o ensino de penteados trançados nas aulas de matemática do ensino fundamental e propormos como metodologia a adoção de modelagem matemática. Verificamos que as práticas e técnicas de trançados auxiliam no ensino de matemática como representam partes significativas das culturas africanas e afro-diaspóricas. Por fim, destacamos como as práticas de trançar cabelos, no processo de diáspora, têm sido significadas como elementos de identidade, resistência e sobre tudo manutenção de memória.

 


Palavras-chave


Etnomatemática, Gênero, Raça

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